Psicologia dá a tônica para Nobel de Economia 2017

Psicologia dá a tônica para Nobel de Economia 2017

O norte-americano Richard H. Thaler, de 72 anos, recebeu o Prêmio Nobel de Economia 2017 por ter desenvolvido a teoria da contabilidade mental, explicando como as pessoas simplificam a tomada de decisões financeiras. De acordo com a organização, ele venceu o Nobel “por suas contribuições para a economia comportamental”. O anúncio foi feito na manhã desta segunda-feira (9) em Estocolmo, na Suécia.

A psicóloga Rosângela Augusta, da Clínica Ventura, destaca que a Psicologia é transdisciplinar. “Da mesma forma que a Psicologia apoia pessoas e grupos sociais em seu processo de desenvolvimento, autoconhecimento e possíveis mudanças de comportamento, seu extenso arcabouço teórico e prático contribui também com o avanço das demais ciências e favorece o desenolvimento de pessoas, grupos e organizações sociais”, diz.

Rosângela lembra ainda que a Psicologia oferece instrumentos de diagnóstico e intervenção psicossocial que favorecem a mudança de comportamentos, estabelecidos como padrões de consumo, gastos, controle financeiro e até mesmo crenças distorcidas que levam à autosabotagem emocional e também financeira, interferindo na capacidade de ganhar dinheiro, poupar e até mesmo ser bem sucedido na vida”, afirma a psicóloga.

“Em especial, a área da Psicologia Clínica, as psicoterapias podem ajudar a pessoas e grupos a reconhecerem seu mundo interno, emocional, e os motivos que as levam a ter certos comportamentos prejudiciais na lida com a dimensão financeira”.

Benefícios como autoconfiança e autocontrole são a base para novos comportamentos, fortalecidos pela interação e integracão de pensamentos positivos, sentimentos equilibrados, relações saudáveis, ação assertiva e criativa. Creio que a “Teoria da Contabilidade Mental”, como aspecto transdisciplinar entre a Economia e Psicologia, pode melhorar a qualidade de vida de pessoas e grupos sociais”, afirma Rosângela Augusta.

Thaler incorporou pressupostos psicologicamente realistas em análises de tomada de decisão econômica. Ao explorar as consequências da racionalidade limitada, das preferências sociais e da falta de autocontrole, ele mostrou como esses traços humanos afetam sistematicamente as decisões individuais, bem como os resultados do mercado financeiro.

No anúncio da premiação, a Academia Real Sueca de Ciências, organizadora do Prêmio Nobel, afirmou que Thaler construiu uma ponte entre as análises econômicas e psicológicas da tomada de decisão individual. “Suas descobertas empíricas e suas idéias teóricas têm sido fundamentais para criar o novo campo de economia comportamental e em rápida expansão, que teve um impacto profundo em muitas áreas de pesquisa e política econômica”.

Thaler é considerado o pai da economia comportamental, que estuda como o pensamento e as emoções afetam as decisões econômicas individuais e o comportamento dos mercados. Thaler é diretor e professor na Chicago Booth, a Universidade de Chicago Booth Escola de Negócios.

Racionalidade limitada
Thaler desenvolveu a teoria da contabilidade mental, explicando como as pessoas simplificam a tomada de decisões financeiras criando contas separadas em suas mentes, enfocando o impacto de cada decisão individual e não seu efeito geral. Ele também mostrou como a aversão às perdas pode explicar por que as pessoas valorizam ainda mais o que possuem. Thaler foi um dos fundadores do campo das finanças comportamentais, que estudam como as limitações cognitivas influenciam os mercados financeiros.

Preferências sociais
Thaler mostrou ainda como a busca de equidade pode impedir as empresas de aumentar os preços em períodos de alta demanda, mas não em tempos de custos crescentes. Thaler e seus colegas criaram o jogo do ditador, uma ferramenta experimental que tem sido utilizada em numerosos estudos para medir as atitudes em relação à equidade em diferentes grupos de pessoas ao redor do mundo.

Falta de autocontrole
Thaler também lançou luz sobre as resoluções de Ano Novo que podem ser difíceis de serem concretizadas. Ele mostrou como analisar os problemas de autocontrole usando uma espécie de planejador, que é semelhante aos métodos que os psicólogos e os neurocientistas usam para descrever a tensão interna entre o planejamento de longo prazo e a execução de curto prazo.

Segundo ele, sucumbir à tentação do curto prazo é uma razão importante para os planos feitos para a velhice ou para as escolhas de estilo de vida mais saudáveis falharem. Em seu trabalho, Thaler demonstrou como o “cutâneo”, conceito que ele criou, pode ajudar as pessoas a exercer melhor seu autocontrole ao economizar para a aposentadoria assim como em outros contextos.

 

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