Dagmar Ramos concede entrevista exclusiva ao Portal Ventura Advanced

No último dia 26 de outubro, a médica Dagmar Ramos esteve em Fortaleza, onde realizou uma palestra sobre conflitos no Judiciário a partir da ótica das Constelações Familiares. Na ocasião, Dra. Dagmar concedeu entrevista exclusiva para o Portal Ventura Advanced.

Na entrevista, Dagmar fala em como a Constelação Familiar pode contribuir intensamente para a vida pessoal, da sociedade e das organizações, sejam públicas ou privadas.

Ponto de destaque é a análise em que a médica afirma como a metodologia pode ajudar ao país a sair da atual crise social e política. Confira os principais momentos da entrevista.

Ventura – Doutora, em que consiste a Constelação Familiar?

Dagmar – As Constelações Familiares representam uma síntese de várias abordagens no campo da psicoterapia criada pelo psicoterapeuta, psicanalista, filósofo e educador alemão, Bert Hellinger, nos anos 80. Trabalhando com grupos de terapia familiar, partindo de experiências com várias outras técnicas, inclusive a “escultura familiar” de Virgínia Satir, Bert Hellinger abriu-se para a observação fenomenológica dos conteúdos trazidos pelos “representantes” nos grupos e percebeu ali a possibilidade de um campo de informações que ao serem reveladas vão compondo um quadro clínico, levantando hipóteses diagnósticas dos transtornos em questão e também refletindo à distância em todo o sistema envolvido provocando mudanças em direção à soluções e curas. A teoria que mais se aproxima de uma explicação sobre estes “campos de informações” acessados, até o momento, é a teoria dos “campos mórficos” e “ressonância mórfica” estudados por Ruppert Sheldrake e outros cientistas da biologia e da física.
Bert Hellinger identifica ordens e desordens dos sistemas familiares que ele denominou de Ordens do Amor, como o direito ao “pertencimento”, o “equilíbrio entre o dar e o receber” e a “hierarquia”, assim como os processos de “compensação” quando estas ordens não são respeitadas.

Ventura – A partir de sua experiência de que forma a Constelação contribui para melhorar a vida das pessoas?

Dagmar – A Constelação Familiar é um instrumento de autoconhecimento ímpar, de identificação de crenças e padrões repetitivos, vinculações doentias, traumas ocultos no sistema familiar nos permitindo liberação e movimentos em direção à curas e soluções. Além da identificação do problema, que é o primeiro passo para uma solução, percebemos um movimento no campo como um todo, um fenômeno que tem na teoria da ressonância mórfica, uma possível explicação, ou seja, um comportamento que ao ser mudado num ponto do sistema provoca alterações no sistema todo.

Na minha experiência pessoal e com meus clientes, profundas transformações acontecem naqueles que se entregam para este processo terapêutico conduzido por profissionais sérios e preparados.

Ventura – E como a Constelação pode contribuir para o Judiciário?

Dagmar – Poderosa ferramenta de identificação e solução de conflitos, as constelações vem sendo utilizadas no Judiciário, com grande impacto. Os magistrados, advogados, promotores, profissionais em geral do Sistema Judiciário, ampliam em muito sua percepção dos fatos e a identificação de possíveis caminhos de solução ao tomarem conhecimento destas ordens e processos revelados pelas constelações, mesmo que não se utilizem diretamente do método. A possibilidade do Judiciário contar com as Constelações Familiares e Organizacionais (derivadas das primeiras, voltadas para as instituições e empresas) enquanto auxiliares no seu processo de julgamento é de grande importância. Estas experiências vêm acontecendo em vários estados do país e em vários países do mundo, com êxitos surpreendentes, desde conflitos de ordem individual, familiar, social, população carcerária, menores cumprindo medidas sócio-educativas, conflitos trabalhistas, heranças e outros.

Ventura – Além do Judiciário, onde se encontra também a Constelação Familiar?

Dagmar – As Constelações vêm se desenvolvendo em amplas áreas humanas, nos sistemas familiares, na medicina, nas escolas, nas empresas e demais instituições, na política, no sistema judiciário e outras.

Ventura – A Constelação Familiar poderia contribuir para a saída da crise do país?

Dagmar – Acredito que sim. As Constelações podem ajudar na atual crise porque passa o país e o mundo como um todo. Com seu potencial de ampliar o olhar sobre o comportamento humano e os fenômenos coletivos, as constelações podem ser utilizadas como ferramenta poderosa de transformação pessoal e social.
Já tive a oportunidade de conduzir constelações do momento político brasileiro que não só revelaram dinâmicas que depois se confirmaram como apontaram para as graves “feridas” do campo mórfico brasileiro, como nosso longo período de escravidão de negros e índios, atuando diretamente no processo atual, como a pedirem reconhecimento e reverência.
Colocamos representantes para vários elementos como: o Brasil nação, os sistemas judiciário, legislativo e o governo atual, a ética e a corrupção, a economia, a educação, os movimentos sociais, nossos antepassados índios, negros e imigrantes, e outros.
As soluções apontadas por estas constelações políticas do momento brasileiro incluem não só profundas reverências às vítimas da nossa história, como o reconhecimento de nossos erros, a humildade em nos retratarmos e a mudança para uma postura séria e coletiva de enfrentamento da situação.

Ventura – Explique como a senhora chegou a ser terapeuta da Constelação Familiar

Dagmar – Sou médica em medicina preventiva e social, homeopatia, psiquiatria e psicoterapeuta com formação na Escola da Dinâmica Energética do Psiquismo (DEP). Assim que terminei a formação na Escola da DEP que nos ensina a como sermos canais de ressonância do “eu superior”, a como trabalharmos com a fenomenologia, à postura de meditação e centramento e a conduzirmos grupos terapêuticos, além de estudarmos Ken Wilber, Assagioli, Groff e outros autores do chamado campo transpessoal, chegaram ao Brasil as Constelações Familiares de Bert Hellinger.
Muitos de nós, da Escola da DEP, percebemos a grande similitude entre estas duas abordagens e hoje são muitos os consteladores brasileiros formados na DEP. Inclusive em diálogos com eminentes consteladores alemães, como o próprio Gunthard Weber, médico psiquiatra, professor da Universidade de Heidelberg e o segundo maior nome deste campo no mundo, eles se mostram interessados em conhecer mais da metodologia da DEP e percebem esse padrão diferenciado dos terapeutas desta escola ao trabalharem com as constelações.

Como aluna do Segundo Treinamento Internacional em Constelações no Brasil, conduzido pela Equipe do IAG – Instituto Alemão que se constituiu para desenvolver este método, fiz logo no primeiro módulo uma constelação familiar que foi um marco no meu processo individual de psicoterapia. Percebi uma dinâmica oculta, uma identificação com a história de minha mãe na adolescência, um trauma com relação ao suicídio de meu avô materno que me trouxe um enorme e profundo alívio. A partir deste momento, passei a me dedicar a estudar e a trabalhar com as pessoas utilizando o método. Fundei, junto com outras duas colegas, um dos primeiros Institutos Brasileiros dedicados a sustentar e desenvolver esta metodologia, em sintonia com o IAG e o professor Gunthard Weber. Fui convidada por este professor e coordenei uma equipe brasileira no primeiro estudo multicêntrico sobre Sintomas, Doenças e Constelações – Sisc Study, envolvendo 7 países. Hoje o IBS Sistêmicas está no seu Décimo primeiro curso de formação no método das Constelações Familiares e caminhando para o segundo Treinamento em Constelações Organizacionais. São cerca de 400 profissionais formados e atuando com o método em várias áreas.

Estamos abrindo um campo de atuação específica no Sistema Judiciário, com cursos, treinamentos e convênios na Mediação de Conflitos.

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