Criatividade como liberdade de ser, viver, criar, transformar e evolui

Quando consultamos a definição de Criatividade ela parece pertencer a algumas pessoas privilegiadas ou estar desconectada da nossa identidade.

Veja esta descrição:

“Inventividade, inteligência e talento, natos ou adquiridos, para criar, inventar, inovar, quer no campo artístico, quer no científico, esportivo etc.”
Jacob Levy Moreno (1898/1974) foi um estudioso das relações humanas ou do ‘homem em relação’; encontrou no teatro a representação dramática e aplicando-a à cenas da vida de clientes como uma forma de compreender o homem e sua espontaneidade, seus sentimentos, sintomas e conflitos, buscando soluções.

Vamos, então, abordar a criatividade na perspectiva do médico, psiquiatra romeno Jacob Levy Moreno , criador dos métodos e técnicas de intervenção terapêutica : Psicodrama, Sociodrama, Psicoterapia de Grupo dentre outros.

Moreno considerou o nascimento do ser humano como um momento de máxima expressão do potencial de Espontaneidade e Criatividade, refere-se à presença de uma centelha divina e ao esforço do bebê para nascer, como o primeiro ato espontâneo e criativo do ser humano.
Desta forma, Moreno aponta que toda ação humana é impulsionada pela Espontaneidade, que resulta em Criatividade e que, concluída tal Criação, a mesma se transforma em uma Conserva Cultural (aquilo que está acabado, como uma obra de arte concluída ou um livro na biblioteca).

Moreno alertou que este processo não se conclui na Conserva Cultural pois como em um movimento dialético, após a Conserva Cultural, potencializa novamente a Espontaneidade, depois a Criatividade e novamente a Conserva Cultural, em movimento contínuo. Há no ser humano a necessidade de novos atos espontâneos e criativos, como um potencial natural de todo ser e grupos humanos, que reproduz a criação divina em nós, como co-criadores.

A submissão a padrões e normas socioculturais inflexíveis e contextos de sofrimento reduz o potencial espontâneo e aumenta a ansiedade gerando transtornos psíquicos e relacionais. A doença tem sua raiz na falta de espontaneidade e expressão da criatividade, quando o ser humano se submete à Conserva Cultural, torna-se robotizado e sua força criativa fica estagnada e ele sem ação.

A espontaneidade atua em todos os planos das relações humanas , quer seja brincar, comer, dormir, um produto novo, a vida religiosa, social ou numa criação artística.
Na concepção de Moreno ser espontâneo não significa fazer ou dizer o que se quer e provocar mal estar no outro. Significa ser criativo dando uma resposta adequada à uma situação antiga ou uma resposta nova e assertiva em uma situação inusitada, gerando atos criativos que agregam transformação e evolução.

A CRIATIVIDADE como expressão da espontaneidade nos permitirá vivenciar e captar a realidade e a realidade humana como ela é, se permitindo ser, viver e criar, transformar e evoluir.

Quem sobreviverá em uma sociedade rígida ou repetitiva em seus padrões? Moreno respondeu que sobreviverá aquele que mantiver viva sua espontaneidade e que possa expressar sua criatividade em todas as idades e em todos os papéis que desempenhar na vida.

Que o cuidado à saúde inclua terapias que possam devolver a espontaneidade ao paciente.

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